É difícil ser cinéfilo tru
Tudo isso pra dizer que eu assisti “O Curioso Caso de Benjamin Button” com a Giosepina nesta sexta. E foi um pouco triste, estilo jogo da seleção. Toda a torcida a favor, mas no final fica naquele empatezinho em 0X0 com o selecionado do meu bairro. O diretor é um dos melhores da geração; o protagonista é feinho, mas representa; todo o burburinho pré-Oscar aumenta as expectativas. Mas no final, fica a impressão de que o melhor do filme foi a premissa.
Estou há meia hora tentando escrever alguma coisa, mas o sono não deixa. E como vou ficar praticamente uma semana longe do blog, ficam aqui as minhas breves impressões: um filme que se perde em vários momentos, especialmente quando tem que decidir se Button deve agir como uma criança/adolescente ou como um idoso – um casal beeeeem mequetrefe (e a personagem de Cate Winslet se mostra uma verdadeira vagaba, trocando o velho Button por outro com aparência mais jovem), sem algo que realmente justifique o amor entre eles. Pra falar a verdade, a amante interpretada por Tilda Swinton parece ser uma companheira infinitamente melhor que Daisy. Na real, o filme tem uma premissa interessante, e só. Parece até que foi inspirado naquele PowerPoint que roda a internet, com aquela frase do Chaplin sobre viver a vida ao contrário (Só fica ligado porque não é do Carlitos, beleza?)
Mas o que me chamou mais a atenção vai além disso tudo, e extrapola a esfera cinematográfica pra entrar num debate bem mais contemporâneo. David Fincher, como diretor provocador que é, fez de Benjamin Button o ídolo-mor da galera que bomba na lista de mais procurados da Interpol. David Fincher vai colocar a pedofilia no Oscar. Tá certo que muitos vão dizer que “O velho Benjamin tem a mesma idade da Daisy”, que é a mesma coisa que dizer que não estava apreciando fotos de crianças nuas, mas sim baixando material de pesquisa pra um livro. Ele ainda tenta jogar uma pras coroas colocando a velha Cate Blanchett catando o jovem Brad Pitt, o que já derruba a teoria de misoginia patológica. Enfim, um filme para Pedobears e Susanas Vieiras assistirem com seus netinhos, e dali quem sabe fazer um escambo “cuida do meu que eu dou uma olhada no seu”.
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